DISPONÍVEL EM 68 LÍNGUAS / SELECIONE SEU IDIOMA


AVAILABLE IN 68 LANGUAGES / SELECT YOUR LANGUAGE

Manchetes
Capa » BIBLIOTECA (Textos do Autor) » “EU AJUDEI A DESTRUIR O RIO DE JANEIRO.

“EU AJUDEI A DESTRUIR O RIO DE JANEIRO.

                                                     Crôniva do Jornal de Brasília                                 

         “Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro” por Sylvio Guedes.
 

 É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro.

Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas pessoas que vemos participando de atos cívicos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder  paralelo dos chefões do tráfico de drogas.

Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelosbarzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas
chefias e diretorias.

Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco. Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de  serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca – e brasileira, por extensão.

Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato. Festa sem cocaína era festa careta. As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a  necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.

Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercadoterminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim,  com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.

Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastaquera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.

Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado. São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem  famílias, arrasam lares, destroçam futuros.

Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir:  “Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro.”

Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.

—————————

 Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, critica o “cinismo”  …dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas. Guedes desafia a todos que “tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir: eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro”.

 Postado por Ruy Câmara às 10:52 – quinta-feira, dezembro 02, 2010.

Sobre Ruy Câmara

Check tambem

PARÁBOLA DO BURRO

Havia um burro amarrado a uma árvore. Veio o demônio e o soltou.  O burro ...

Deixe uma resposta