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VIII COLLOQUE INTERNATIONAL SUR LAUTRÉAMONT

CONFERÊNCIA de Ruy Câmara

As Impressões Biográficas de Lautréamont

Barcelona 24.11.2006 – Aniversário de morte de Isidore Ducasse (136 anos)

Organisation

PEN Club de Catalogne

Association des Amis Passés Présents et Futur d’Isidore Ducasse (AAPPFID)

Groupe de Recherches sur les Écritures Subversives (GRES)

Comité Scientifique

Josep Palau i Fabre (Catalunya), Vicenç Altaió (KRTU, Catalunya), Carme Arenas (Pen Català), Henri Béhar (Université Sorbonne-Nouvelle, Paris), Roger Mirza (Universidad de la República, Montevideo), Peter W. Nesselroth (Université de Toronto), Michel Pierssens (Université de Montréal),  Manuel A. Tost (Universitat Autònoma de Barcelona), Hidehiro Tachibana (Université Waseda, Tokyo).

Comité d’organisation

Rossend Arqués (PEN), Núria d’Asprer (GRES), Mª Dolors Cañada (UPF), Jordi Cerdà (GRES), Anna Corral (UAB), Geneviève Michel (GRES), Ricard Ripoll (PEN-GRES), Simona Škrabec (PEN).

Meu primeiro contato com a obra de Lautréamont foi silenciosamente impactante. Devo esse contato ao meu querido amigo, poeta José Alcides Pinto, quem em 1991 me enviou um faxsímile d’Os Cantos de Maldoror” juntamente com um bilhete no qual dizia: “Cometi um delito numa biblioteca de um amigo para compartilhar contigo o banquete literário de Lautréamont.”

Mi primer contacto con la obra de Lautréamont fue silenciosamente impactante. Debo ese contacto a mi querido amigo, el poeta José Alcides Pinto, quien en 1991 me envió un facsímil de “Los Cantos de Maldoror” junta con una nota en la que decía: “Cometí un delito en la biblioteca de un amigo para compartir contigo el banquete literario de Lautréamont.”

Num breve virar de página, já era irremediavelmente tarde para fugir da armadilha. De um hausto li até o final do Canto Quinto de Maldoror e não vi quando aquela tarde se fez noite, nem quando as estrelas sumiram do céu de Fortaleza, de tão absorvido que eu estava, lendo aquela escritura alquímica e alucinatória que perfurava a negra paisagem de minha mente à procura de uma ancoragem.

En un breve girar de página, ya era irremediablemente tarde para huir de la trampa. De un tirón leí hasta el final del Canto Quinto de Maldoror y no vi cuándo aquella tarde se hizo noche, ni cuándo las estrellas desaparecieron del cielo de Fortaleza, de tan absorto que yo estaba, leyendo aquella escritura alquímica y alucinadora que perforaba el negro paisaje de mi mente en busca de un anclaje.

Fui deitar-me com uma parte da obra decifrada entre tantos códigos, mas não consegui dormir ao amanhecer, em primeiro lugar porque, ninguém sobrevive impunemente após um mergulho nas trevas de um gênio, e em segundo lugar porque de fato eu procurava um ente como Lautréamont, acuado no seu próprio dilema, sem espaço para se expressar, sem o recurso que se busca nas alturas e insubmisso à lógica vigente. Talvez eu andasse em busca do meu “eu essencial”, ou de um autor que me permitisse compreender algo que jaz no íntimo mais profundo de cada grande poeta e escritor.

Fui a acostarme con una parte de la obra descifrada entre tantos códigos, pero no conseguí dormir al amanecer, en primer lugar porque, nadie sobrevive impunemente después de uno buceo en las tinieblas de un genio, y en segundo lugar porque de hecho yo buscaba un ente como Lautréamont, acorralado en su propio dilema, sin espacio para expresarse, sin el recurso que sebusca en las alturas e insumiso a la lógica vigente. Tal vez yo anduviera en búsqueda de mi “yo esencial”, o de un autor que me permitiera comprender algo que yace en lol íntimo más profundo de cada gran poeta y escritor.

Digo isso porque naquela época eu sobrevivia à morte de minha filha caçula e a vida para mim já não tinha mais nenhum encanto. Tanto que decidi abandonar uma promissora carreira empresarial para me dedicar exclusivamente ao ofício literário, que era um sonho antigo. O grande problema era encontrar um personagem incomum que encarnasse em si o desencanto que aflige o indivíduo oprimido pela família, pela sociedade e pelo Estado.

Digo eso porque en aquella época yo sobrevivía a la muerte de mi hija menor y la vida para mí ya no tenía ningún encanto. Tanto que decidí abandonar una prometedora carrera empresarial para dedicarme exclusivamente al oficio literario, que era un sueño antiguo. El gran problema era encontrar un personaje raro que encarnara en sí el desencanto que aflige al individuo oprimido por la familia, por la sociedad y por el Estado.

O espanto provocado pela morbidez violenta da obra despertou-me o interesse de conhecer e de desvelar o mistério sobre o Conde de Lautréamont. Mas, por onde começar? A partir de epítomes recortados d’Os Cantos de Maldoror?  Das pistas biográficas deixadas pelos autores que me antecederam na empreitada? Do minguado documental em poder dos colecionadores, livreiros e alfarrabistas? Quem patrocinaria um autor em início de carreira para levar adiante um projeto de tamanha complexidade e envergadura? Para tais perguntas eu não tinha resposta, mas apenas a curiosidade imperiosa de conhecer os pormenores da vida  de “Isidore Ducasse”.

El asombro provocado por la morbidez violenta de la obra me despertó el interés de conocer y de desvelar el misterio sobre el Conde de Lautréamont. Pero, ¿or donde comenzar? ¿A partir de epítomes recortados de Los Cantos de Maldoror? ¿De las pistas biográficas dejadas por los autores que me antecedieron en la empresa? Del menguado documental en poder de los coleccionistas, libreros y libreros de viejos? ¿Quien patrocinaría a un autor al inicio de su carrera para llevar adelante un proyecto de tamaña complejidad y envergadura? Para tales preguntas yo no tenía respuesta, tenía sólo la curiosidad imperiosa de conocer los pormenores de la vida de Isidore “Ducasse”.

Ainda lembro do rosto de pavor de minha mulher, quando reuni a família e anunciei que havia decidido sair no rastro desse fantasma genial que ainda hoje deambula sem rumo na mente dos autores de inúmeros paises e idiomas. A aventura que começou no Brasil em julho de 1995, logo se estendeu para Montevidéu (onde o espírito de Lautréamont teria se formado) cruzamos o Atlântico e chegamos na França, onde passamos uma temporada em Paris examinando registros, consultando obras e refazendo com os ânimos acesos aqueles trajetos, de onde seguimos, no sentido inverso o rastro deixado por Lautréamont, desde Tarbes, Pau, Bayonne e Biarritz até  Montevidéu.

Aún me acuerdo del rostro de pavor de mi mujer, cuando reuní a la familia y anuncié que había decidido seguir el rastro de ese fantasma genial que aún hoy deambula sin rumbo en la mente de los autores de incontables paises e idiomas. La aventura que comenzó en Brasil en julio de 1995, inmediatamente se extendió hasta Montevideo (donde el espíritu de Lautréamont se había formado), cruzamos el Atlántico y llegamos a Francia, donde pasamos una temporada en París examinando registros, consultando obras y rehaciendo con el ánimo encendido aquellos trayectos, de donde seguimos, en el sentido inverso el rastro dejado por Lautréamont, desde Tarbes, Pau, Bayonne y Biarritz hasta Montevideo.

No início eu tinha convicção de que havia material suficiente para uma biografia fidedigna, mas com o andar das pesquisas fui descobrindo o contrário. Aí, precisamente, vi-me envolvido numa armadilha real. Já havia consumido boa parte das minhas economias com tantas viagens e não conseguia vislumbrar nenhuma direção a tomar. Em agosto de 1997 refiz todo o percurso e continuei pesquisando nos liceus, bibliotecas, livrarias e museus. Após alguns meses de investigação, paralisei o trabalho, supondo que estava diante de um enigma indesvelável e que seria impossível reinventar Lautréamont. Como não havia recursos para financiar as novas buscas, em 1998 passei o ano inteiro lendo e relendo uma centena de textos que eu havia reunido nas expedições anteriores. Mas faltavam nesses artigos os elementos biográficos que eu precisava para fundamentar meu projeto.

Al principio yo tenía la convicción de que había material suficiente para una biografía fidedigna, pero en el transcurso de las investigaciones fui descubriendo lo contrario. Ahí, precisamente, me vi envuelto en una trampa real. Ya había consumido buena parte de mis ahorros con tantos viajes y no conseguía vislumbrar ninguna dirección a tomar. En agosto de 1997 rehice todo el recorrido y continué investigando en los liceos, bibliotecas, librerías y museos. Después de algunos meses de investigación, paralicé el trabajo, suponiendo que estaba delante de un enigma indesvelable y que sería imposible reinventar a Lautréamont. Como no había recursos para financiar las nuevas búsquedas, en 1998 pasé el año entero leyendo y releyendo un centenar de textos que yo había reunido en las expediciones anteriores. Pero faltaban en esos artículos los elementos biográficos que yo necesitaba para fundamentar mi proyecto.

Em 1999 desembarquei em Montevidéu, reuni o que havia sido publicado sobre Lautréamont e segui para Bruxelas, onde tive a idéia de reconstituir o primeiro encontro do jovem Isidore Ducasse com um Baudelaire afásico. Em julho 2000 refiz novamente o percurso, mas ao final da peregrinação tudo o que havia e que poderia fundamentar a existência de Isidore Ducasse, resumia-se a um punhado de livros dos autores que haviam escrito sobre Lautréamont, um faxsímile de Les Chants de Maldoror, edição de 1868, que eu havia comprado de um alfarrabista em Lisboa; um livro inacabado, intitulado Poesias, a certidão de nascimento de Ducasse, que puseram em minhas mãos na Cúria de Montevidéu, as cópias das 7 cartas de Ducasse, uma foto de sua formatura no antigo Liceu Imperial de Pau, e um faxsímile do atestado de óbito, expedido pela prefeitura do Sena em 1870.

En 1999 desembarqué en Montevideo, reuní lo que había sido publicado sobre Lautréamont y seguí hacia Bruselas, donde tuve la idea de reconstruir el primer encuentro del joven Isidore Ducasse con un Baudelaire afásico. En julio 2000 rehice nuevamente el recorrido, pero al final de la peregrinación todo lo que había y que podría fundamentar la existencia de Isidore Ducasse, se resumía a un puñado de libros de los autores que habían escrito sobre Lautréamont, un facsímil deLes Chants de Maldoror, edición de 1868, que yo había comprado a un librero de Lisboa; un libro inacabado, intitulado Poesías, el certificado de nacimiento de Ducasse, que pusieron en mis manos en la Catedral de Montevideo, las copias de las siete cartas de Ducasse, una foto de su graduación en el antiguo Liceo Imperial de Pau, y un facsímil del certificado de defunción, expedido por el ayuntamiento del Sena en 1870.

Em 2000, quando sentei para escrever Cantos de Outono, o romance da vida de Lautréamont, comecei a experimentar na própria carne um sofrimento quase expiatório. Nos momentos de absoluta incriatividade, pensei em abandonar o projeto. Acreditei que havia chegado naquele ponto intransponível em que alguns autores que me precederam acabaram esbarrando. Noutro momento, quando surgia uma nova pista ou uma idéia mais ousada, o trabalho era retomado com tanta euforia, que ficava difícil conter o ímpeto. Em verdade eu sentia os efeitos nocivos das minhas limitações materiais e intelectuais para continuar o trabalho. Estava claro que o “nada biográfico” de Isidore Ducasse estava me levando à frustração. A dificuldade maior foi  achar o momento certo para penetrar na sua redoma de tédio e desvelar o seu universo, um anti-universo obscuro e aterrador, que se encolhia a cada tentativa minha de sondar as suas profundezas.

En el año 2000, cuando me senté para escribir Cantos de Otoño, la novela de la vida de Lautréamont, comencé a experimentar en mi propia carne un sufrimiento casi expiatorio. En los momentos de absoluta increatividad, pensé en abandonar el proyecto. Creí que había llegado a aquel punto intrascendente en que algunos autores que me precedieron acabaron fracasando. En otro momento, cuando surgía una nueva pista o una idea más osada, retomaba el trabajo con tanta euforia, que me resultaba difícil contener el ímpetu. Realmente yo sentía los efectos nocivos de mis limitaciones materiales e intelectuales para continuar el trabajo. Estaba claro que la nada “biográfica” de Isidore Ducasse estaba llevándome a la frustración. La dificultad mayor fue hallar el momento correcto para penetrar en su tedio y desvelar su universo, un anti-universo oscuro y desgarrador, que menguaba a cada tentativa mía de sondear sus profundidades.

Demorei dois anos mas para estruturar as curvas dramáticas da obra, temendo atentar contra a vontade dolorosa e degradada do meu personagem. Talvez por isso, alguns biógrafos que se lançaram nessa aventura não tiveram êxito. Outros, por questões elementares de rigor e ortodoxia, ou porque se viram diante de um vulto estranhíssimo e estigmatizado por um encadeamento sucessivo de algenias e esquecimentos, simplesmente desistiram da empreitada.

Tardé dos años en estructurar las curvas dramáticas de la obra, temiendo atentar contra la voluntad dolorosa y degradada de mi personaje. Tal vez por eso, algunos biógrafos que se lanzaron a esa aventura no tuvieron éxito. Otros, por cuestiones elementales de rigor y ortodoxia, o porque se vuelcan delante de una figura extrañisima y estigmatizada por un encadenamiento sucesivo de dificultades y olvidos, simplemente desistieron de la empresa.

Só depois, quando visualizei as circunstâncias que poderiam me levar ao desfecho, percebi que, quando a arte precisa triunfar sobre a racionalidade seca e objetiva exigida numa dada ação, minha consciência escapava para a anti-sala da razão e eu me via novamente perambulando em Montevidéu, Tarbes, Pau, Paris e Bruxelas, ora diante de uma tumba, ora encafuado naqueles cenários taciturnos, cercado de pensamentos e aflições, como se fizesse parte de todo aquele imaginário que eu recriava.

Sólo después, cuando visualicé las circunstancias que podrían llevarme al desenlace, percibí que, cuando el arte necesita triunfar sobre la racionalidad seca y objetiva exigida en una  acción dada, mi conciencia escapaba a la anti-sala de la razón y yo me veía nuevamente deambulando por Montevideo, Tarbes, Pau, París y Bruselas, ora delante de una tumba, ora encerrado en aquellos escenarios taciturnos, cercado de pensamientos y aflicciones, como si formara parte de todo aquel imaginario que yo recreaba.

Dias ou mesmo semanas numa página que não se resolvia. Nas altas noites, quantas vezes me vi só, inteiramente perdido nas veredas flexuosas e escuras das próprias idéias, preso às abstrações mais complexas da mente de Lautréamont, sem saber como conduzir Isidore Ducasse para uma conclusão.

Dias o incluso semanas en una página que no se resolvía. En las altas noches, cuantas veces me vi sólo, enteramente perdido en las veredas flexuosas y oscuras de las propias ideas, preso en las abstracciones más complejas de la mente de Lautréamont, sin saber cómo conducir a Isidore Ducasse a una conclusión.

Lembro-me bem de um episódio ocorrido em Paris, no quarto 56 do Hotel do Cais Voltaire, o mesmo que serviu de refúgio e covil a Baudelaire, Wagner, Lautréamont e Oscar Wilde, que me obrigou a refletir e a reescrever os momentos que precederam o suicídio de Isidore Ducasse. Era madrugada. Relâmpagos, trovões e ventava, e chovia intensamente. Eu estava completamente esgotado e desmotivado para escrever o epílogo. Já havia bebido uma garrafa de vinho tinto quando tive a estranha sensação de que o gênio de Lautréamont conseguia transitar livremente nas zonas de intransitividade dos meus sentidos. O que ocorreu ali, aos parâmetros da razão absoluta, parece suprareal, mas aos parâmetros da arte, tudo é possível. E naquela noite outonal de 24 de novembro de 2000, pondo em confronto aquilo que Marcelin Pleynet aventou sobre o contraste da dupla alteridade entre Ducasse e Lautréamont, consegui, finalmente, levá-los ao calvário e finalizei o livro.

Recuerdo bien un episodio ocurrido en París, en el cuarto 56 del Hotel del  Cais Voltaire, el mismo que sirvió de refugio y cubil a Baudelaire, Wagner, Lautréamont y Oscar Wilde, que me obligó a reflexionar y a reescribir los momentos que precedieron el suicidio de Isidore Ducasse. Era madrugada. Relámpagos, truenos y tempestad, y llovía intensamente. Yo estaba completamente agotado y desmotivado para escribir el epílogo. Ya había bebido una botella de vino tinto cuando tuve la extraña sensación de que el genio de Lautréamont conseguía transitar libremente por las zonas intransitables de mis sentidos. Lo que ocurrió allí, para los parámetros de la razón absoluta, parece suprarreal, pero para los parámetros del arte, todo es posible. Y en aquella noche otoñal de 24 de noviembre de 2000,  enfrentando aquello que Marcelin Pleynet expuso sobre el contraste de la doble alteridad entre Ducasse y Lautréamont, conseguí, finalmente, llevarlos al calvario y finalicé el libro.

Voltei ao Brasil, fiz as revisões de praxe, empacotei o original e o enviei juntamente com um cartão à minha Editora:  Cantos de Outono, o romance da vida de Lautréamont é o final de um percurso realizado, um percurso que dificilmente ousarei repetir”. Nesta obra eu conto a história de um vulto finisecular, de espírito latino e mentalidade céltica, um vulto que reintroduz na literatura a lógica do delírio, a escrita da negação, a necessidade do plágio, a crise de identidade do sujeito moral, um vulto que pensou a obra literária como diálogo entre textos, um texto onde as idéias mais ousadas se sucedem sem a preocupação com a continuidade ou com o princípio da identidade.

Volví a Brasil, hice las revisiones normales, empaqueté el original y lo envié junto con una tarjeta a  mi Editora, en la que decía: “Cantos de Otoño, el romance de la vida de Lautréamont es el final de un recorrido realizado, un recorrido que difícilmente osaré repetir”. En esta obra yo cuento la historia de una figura finisecular, de espíritu latino y mentalidad céltica, una figura que reintroduce en la literatura la lógica del delirio, la escritura de la negación, la necesidad del plagio, la crisis de identidad del sujeto moral, una figura que pensó la obra literaria como diálogo entre textos, un texto donde las ideas más osadas se suceden sin la preocupación por la continuidad o por el principio de la identidad.

Reconheço que foi um atrevimento meu adentrar no universo imaginário e impreciso de Isidore Ducasse para reinventar Lautréamont nos contextos de sua época. Não posso negar que foi a aventura mais ousada em que me lancei ao longo de toda a minha vida. Ducasse nunca foi e nunca será um personagem de fácil alcance. Para conseguir me aproximar um pouco da sua presença-ausente, ou melhor, da sua maneira invisível de aparecer, eu tive de cavar nos abismos insondáveis da sua memória literária, subi ao cume da sua imaginação com toda a minha carga de verdades e arremessei tudo nas páginas de Cantos de Outono. Nessa obra o que procurei fazer, além de exprimir a estética ducasseana e abranger os pormenores mais prováveis de sua vida, foi dotar de sentido os seus pesadelos, o seu imaginário, a sua fúria incontida, a sua lógica de composição, sempre em confronto com o racionalismo vigente.

Reconozco que fue un atrevimiento mío adentrarme en el universo imaginario y borroso de Ducasse para reinventar a Lautréamont en los contextos de su época. No puedo negar que fue la aventura más osada a la que me lancé a lo largo de toda mi vida. Ducasse nunca fue y nunca será un personaje de fácil alcance. Para conseguir aproximarme un poco a su presencia-ausente, o mejor, a su manera invisible de aparecer, yo tuve que cavar en los abismos insondables de su memoria literaria, subí a la cumbre de su imaginación con toda mi carga de verdades y lo recogí todo en las páginas de Cantos de Otoño. En esa obra lo que busqué hacer, además de expresar la estética ducasseana y comprender los pormenores más probables de su vida, fue dotar de sentido sus pesadillas, su imaginario, su furia incontenida, su lógica de composición, siempre en enfrentamiento con el racionalismo vigente.

Procurei reinventar Lautréamont como se buscasse uma síntese própria de compreensão para justificar a maior estupidez humana: o suicídio. Motivado por essa secretíssima tentação, percebi nos “Cantos” que Lautréamont se desloca nos espaços imaginários da própria ficção e atua num tempo narrativo que se projeta e se contrai para nos dar uma nova dimensão do universo que Isidore Ducasse supostamente gostaria de criar ou de destruir ao seu modo.

Intenté reinventar a Lautréamont como si recogiera una síntesis propia de comprensión para justificar la mayor estupidez humana: el suicidio. Motivado por esa secretísima tentación, percibí en los “Cantos” que Lautréamont se desplaza en los espacios imaginarios de la propia ficción y actúa en un tiempo narrativo que se proyecta y se contrae para  dar una nueva dimensión del universo que Isidore Ducasse supuestamente quisiera crear o destruir a su modo.

O suicídio de Célestine foi um incidente insuperável na vida de Isidore Ducasse e foi decisivo na formação da sua personalidade e do seu caráter. Servi-me desse ponto de partida para estruturar toda a ação dramática do romance. O incidente passou a ser uma lacuna e uma solução para o encadeamento do processo. Nos pesadelos de Isidore Ducasse a figura da mãe aparecia sempre como uma imagem entressonhada. Quando ele se viu transplantado de Montevidéu para uma prisão escolar no sul da França, a idéia maligna do suicídio passou a ser encarada por ele como uma forma de ruptura com qualquer fundamentação absoluta. Apesar de tudo, o ódio que ele sentia ou fingia sentir pelo mundo e pelo pai, não resistia a um naco de afeto. Não era um ódio legítimo.

El suicidio de Célestine fue un incidente insuperable en la vida de Isidore Ducasse y fue decisivo en la formación de su personalidad y de su carácter. Me serví de ese punto de partida para estructurar toda la acción dramática del romance. El incidente pasó a ser una laguna y una solución para el encadenamiento del proceso. En las pesadillas de Isidore Ducasse la figura de la madre aparecía siempre como una imagen entressonhada. Cuando él se vio trasplantado de Montevideu para una prisión escolar en el sur de Francia, la idea maligna del suicidio pasó a ser encarada por él como una forma de ruptura con cualquier fundamentación absoluta. A pesar de todo, el odio que él sentía o fingía sentir por el mundo y por el padre, no resistía a un naco de afecto. No era un odio legítimo.

Minha investigação chegou ao pseudônimo “Lautréamont” já que Ducasse é acusado por inúmeros autores de haver plagiado seu cognome a partir de uma corruptela de Lautréaumont, nome de um personagem do escritor inglês, Eugène Sue, autor de Les Mystères de Paris. Eu sustento o contrário, ou seja, que ele inventou para si um cognome extremamente original e estranho, tanto e quanto a etimologia da palavra e o significado que pretendia dar.

Mi investigación llegó al pseudónimo “Lautréamont” ya que Ducasse es acusado por incontables autores de haber plagiado su cognome a partir de una corruptela de Lautréaumont, nombre de un personaje del escritor inglés, Eugène Sude, autor de Les Mystères de París. Yo sostengo el contrario, o sea, que él inventó para sí un cognome extremadamente original y extraño, tanto y cuanto la etimología de la palabra y el significado que pretendía dar.

Comecei o exame fazendo a junção de duas palavras, de cujos significados tiveram grande relevância na vida do poeta, e fui levado a crer que ele, astutamente, manipulou os fonemas do substantivo masculino, baccalauréat, que significa bacharelado, e o fez com o recurso de um metaplasmo de permuta, que chamamos de metátese, donde retiramos o adjetivo lauréat, que significa laureado ou premiado em concurso acadêmico. Em seguida, num despropositado deslocamento do t final para o meio, ele poderia ter formado a palavra derivada lautréa, que acrescida de mont, raiz da palavra Montevidéu, sua cidade natal, resulta em Lautréamont, cujo sentido final quer denotar “o laureado de Montevidéu.”

Comencé el examen haciendo la unión de dos palabras, de cuyos significados tuvieron gran relevancia en la vida del poeta, y fui llevado a creer que él, astutamente, manipuló los fonemas del sustantivo masculino, baccalauréat, que significa diplomatura, y lo hizo con el recurso de un metaplasmo de permutación, que llamamos de metátese, donde retiramos el adjetivo lauréat, que significa laureado o premiado en concurso académico. Enseguida, en un despropositado desplazamiento del “t” final para el medio, él podría haber formado la palabra derivada lautréa, que aumentada de mont, raíz de la palabra Montevideu, su ciudad natal, resulta en Lautréamont, cuyo sentido final quiere denotar “el laureado de Montevideu.”

Com o andar das leituras, cheguei a conclusão de que o castelhano sempre esteve na gênese do pensamento de Isidore Ducasse. As vozes que ele fez reverberar nos Cantos de Maldoror nada mais são do que os ecos da sua infância em Montevidéu. Não há como negar que o castelhano tem grande influência na sua composição e na sua linguagem. Percebe-se isso até mesmo nas suas improbidades estilísticas, que são, de fato, as marcas que caracterizam um autor em processo contínuo de mutação. Em função dessas flutuações ele se via constantemente ameaçado de falência criativa. Como ignorar que o seu pseudônimo e o personagem Maldoror são reflexos da sensação sinóptica de tudo o que Isidore Ducasse apreendia como experiência sensível na infância?

Con el avanzar de las lecturas, llegué la conclusión de que el castellano siempre estuvo en la génesis del pensamiento de Isidore Ducasse. Las voces que él hizo reverberar en los Cantos de Maldoror nada más son que los ecos de su infancia en Montevideu. No hay como negar que el castellano tiene gran influencia en su composición y en su lenguaje. Se percibe eso incluso en sus improbidades estilísticas, que son, de hecho, las marcas que caracterizan un autor en proceso continuo de mutación. En función de esas fluctuaciones él se veía constantemente amenazado de suspensión creativa. Como ignorar que su pseudónimo y el personaje Maldoror son reflejos de la sensación sinóptica de todo lo que Isidore Ducasse incautaba como experiencia sensible en la infancia?

Fundamentado na tese do bilingüismo em Ducasse, sugiro neste colóquio internacional que façamos um reparo necessário quanto a um erro imperdoável da crítica mundial,  um erro que vem se repetindo desde o século XIX, tocante ao pseudônimo “Lautréamont”, que não é plagio de Eugène Sue. Sustento uma hipótese que exprime rigor e consistência, e surgiu da associação da palavra “l’autré”, que significa “o outro”, com a preposição “a”, que indica lugar e como sabemos ser o “a” um metaplasmo de acréscimo que chamamos de epêntese, uma vez justaposto à mont,raiz da palavra Montevidéu, resultou literalmente em Lautréamont, cujo sentido exato, preciso e incontestável é “o outro de Montevidéu”, já que o primeiro seria ele próprio.  Claro que um autor de tamanha genialidade não iria pecar por tão pouco.  Creio que sua intenção real foi criar mesmo essa confusão, ciente de que manhã alguém haveria de chegar à verdade.

Fundamentado en la tesis del bilingüismo en Ducasse, sugiero en este coloquio internacional que hagamos una reparación necesaria cuanto a un error imperdonable de la crítica mundial, un error que viene repitiéndose desde el siglo XIX, tocante al pseudónimo “Lautréamont”, que no es plagio de Eugène Sude. Sostengo una hipótesis que expresa rigor y consistencia, y surgió de la asociación de la palabra “l’autré”, que significa “el otro”, con la preposición “a ,”que indica lugar y como sabemos ser lo “” a un metaplasmo de aumento que llamamos de epêntese, una vez yuxtapuesto a la mont, raíz de la palabra Montevideu, resultó literalmente en Lautréamont, cuyo sentido exacto, preciso e incontestable es “el otro de Montevideu”, ya que el primero sería él propio. Claro que un autor de tamaña genialidad no iría a pecar por tan poco. Creo que su intención real fue crear esa confusión, conocedora de que mañana alguien habría de llegar a la verdad.

Para mim, a obra de Ducasse representa o prazer ilimitado de compor sonhando e entresonhando o humano mais radical, e seu projeto literário repropõe a anulação tácita da norma lingüística e a libertação total da idéia com seus postulados estéticos. Podemos mensurar a importância de Ducasse para o tempo em curso pela influência que ele exerceu e exerce nos autores mais exigentes ao longo do século XX.

Para mí, la obra de Ducasse representa el placer ilimitado de componer soñando y entresoñando el humano más radical, y su proyecto literario repropone la anulación tácita de la norma lingüística y la liberación total de la idea con sus postulados estéticos. Podemos medir la importancia de Ducasse para nuestro tiempo por la influencia que él ejerció y ejerce en los autores más exigentes a lo largo del siglo XX.

Nos Cantos de Maldoror o homem é um animal instintivo que tem toda a animalidade a sua disposição. É o agente totalizador do mal, um mal que hiberna e evolui de forma ambígua para a esfera social. Bachelard foi preciso quando disse que atribuir uma forma humana à animalidade de Maldoror seria retardá-la, seria fazê-la perder a grandeza do ato automático, seria o mesmo que impor racionalidade pura numa ação abrupta, reflexo do instinto. A densidade animalesca ocupa todo o cenário da ação. Quando Lautréamont realça a dor, não atribui a dor uma causa decorrente de uma ação, mas a uma duração temporal. “O que queima não é a chama, mas o tempo de exposição ao calor”. Percebe-se que a sua vontade de viver colide com o querer atacar, que ganha uma aceleração imediata. O ser agressivo de Lautréamont ataca num momento em que nenhuma ação é esperada. Contrariando essa mesma lógica, o rinoceronte aparece no enredo como um deus pesado e inativo e não tem, apesar dos chifres, qualquer ação ofensiva. Quando a serpente devora um animal gigantesco, sua boca  cresce como se o órgão entendesse o tamanho do seu apetite. O bico que estala quando a coruja branca, em seu vôo oblíquo, rapina um pintinho do pomar, alimento vivo e doce para seus filhos, o trissar é pura felicidade e vida. Isso é genial. Por outro lado ele exalta a garra em sinal de terror. “Mãe, olha aquelas garras, tenho medo delas”.

En los Cantos de Maldoror el hombre es un animal instintivo que tiene toda la animalidade a su disposición. Es el agente totalizador del mal, un mal que hiberna y evoluciona de forma ambigua para la esfera social. Bachelard fue preciso cuando dijo que atribuir una forma humana a la animalidade de Maldoror sería retardarla, sería hacerla perder la grandeza del acto automático, sería lo mismo que imponer racionalidad pura en una acción abrupta, reflejo del instinto. La densidad animalesca ocupa todo el escenario de la acción. Cuando Lautréamont realza el dolor, no atribuye el dolor una causa decurrente de una acción, pero la una duración temporal. “Lo que quema no es a llama, pero el tiempo de exposición al calor”. Se percibe que su gana de vivir si confronta con el querer atacar, que gana una aceleración inmediata. El ser agresivo de Lautréamont ataca en un momento en que ninguna acción es esperada. Contrariando esa misma lógica, el rinoceronte aparece en la trama como un dios pesado e inactivo, y no tiene, a pesar de los chifres, cualquier acción ofensiva. Cuando la serpiente devora un animal gigantesco, su boca crece como si el órgano entendiera el tamaño de su apetito. El pico que estala cuando la lechuza blanca, en su vuelo oblicuo, rapina un pollito del pomar, alimento vivo y dulce para sus hijos, el trissar es pura felicidad y vida. Eso es genial. Por otro lado él exalta la zarpa en señal de terror. “Madre, mira aquellas zarpas, tengo miedo de ellas”.

Durante a escritura do romance segui os trajetos de Ducasse, situando-o longe da coerência que se busca numa abordagem mais formalista, (abordagem que não se permite chegar a uma abordagem puramente biográfica), porque, em verdade, Lautréamont é um fantasma que se ergue sobre os pilares de muitas hipóteses e poucos fatos, e como tal não pode ser encontrado jamais, senão nos recortes de sua própria obra. De modo que posso afirmar, sem medo de errar, que sua existência real é uma lacuna que só pode ser preenchida por componentes de verossimilhança literária.

Durante la escritura del romance seguí los trayectos de Ducasse, situándolo lejos de la coherencia que se recoge en un abordaje más formalista, (abordaje que no se permite llegar a un abordaje puramente biográfico), porque, realmente, Lautréamont es un fantasma que se yergue sobre los pilares de muchas hipótesis y pocos hechos, y como tal no puede ser encontrado jamás, sino en los fragmentos de su propia obra. De modo que puedo afirmar, sin miedo a equicoarme, que su existencia real es una laguna que sólo puede ser llenada por componentes de verosimilitud literaria.

E aqui eu desejo fazer um agradecimento formal aos autores que me antecederam nas suas longas jornadas e me possibilitaram essa aventura, dentre os quais eu gostaria de destacar: Léon Bloy, Rubén Darío, Genonceaux,  Soupault, Gide, Breton, Álvaro e Gervasio Muñoz, Maurice Blanchot, Marcelin Pleynet, Le Clézio, Bachelard, Walter Benjamin, Jean-Jacques Lefrère, Emir Rodriguez, Leyla Perrone-Moisés e outros de onde retirei preciosas explicações, preenchendo algumas lacunas e respondendo a uma parte das minhas interrogações sobre Ducasse, sobre Lautréamont e sobre a desordem formal dos “Cantos”, onde o talento e delírio se encontram e se confundem para formar uma só entidade: a entidade pensante que jaz e que se eterniza na obra de arte de Isidore Ducasse.

Y aquí yo deseo expresar mi agradecimiento formal a los autores que me antecedieron en sus largas jornadas y me posibilitaron esa aventura, entre los cuales me gustaría destacar a: Léon Bloy, Rubén Darío, Genonceaux, Soupault, Breton, Álvaro y Gervasio Muñoz, Maurice Blanchot, Marcelin Pleynet, Le Clézio, Bachelard, Jean-Jacques Lefrère, Emir Rodriguez, Leyla Perrone-Moisés y a otros de los que recogí preciosas explicaciones, que llenaron algunas lagunas y respondieron a una parte de mis interrogaciones sobre Ducasse, sobre Lautréamont y sobre el desorden formal de los “Cantos”, donde el ingenio y el delirio se encuentran y se confunden para formar una sola entidad: la entidad pensante que yace y que se eterniza en la obra de arte de Isidore Ducasse.

Decorridos mais de 150 anos do aparecimento dos Cantos de Maldoror, finalmente estamos começando a entender esse personagem terrível e ao mesmo tempo um grande autor, por uma ótica muito diferente da que ele fora visto e confusamente desmerecido pela chamada crítica erudita francesa e belga.

Transcurridos más de 150 años de la aparición de los Cantos de Maldoror, finalmente estamos comenzando a entender ese personaje terrible y al mismo tiempo un gran autor, por una óptica muy diferente de la que él fuera visto y confusamente desmerecido por la llamada crítica erudita francesa y belga.

Para mim sua importância é puramente intelectual. No plano real suas inquietações são as mesmas inquietações da juventude mundial, que olha para o futuro e não vê horizonte. O que há é uma sensação esquisita, uma falta eterna, a ausência de uma luz que não acende, que em verdade são os sintomas agrupados em Braille da nossa dúvida mais íntima quanto ao sentido da vida, da morte e do que mais houver. Ducasse é um autor de grande importância, não só para nós, latinos, mas para os mais exigentes autores e leitores da proesia universal, um autor que desmantelou a arquitetura convencional da literatura bem comportada e com isso inspirou os movimentos mais avançados no que se refere à criatividade poética.

Para mí su importancia es puramente intelectual. En el plan real sus inquietações son las mismas inquietações de la juventud mundial, que mira el futuro y no ve horizonte. Lo que hay es una sensación rara, una falta eterna, la ausencia de una luz que no enciende, que en verdad son los síntomas agrupados en Braille de nuestra duda más íntima cuanto al sentido de la vida, de la muerte y do que más hubiera. Ducasse es un autor de gran importancia, no sólo para nosotros, latinos, pero para los más exigentes autores y lectores de la proesia universal, un autor que desmantelou la arquitectura convencional de la literatura bien comportada y con eso inspiró los movimientos más avanzados en lo que se refiere a la creatividad poética.

Na imaginação ducasseana nem a vida tem finalidade justificada. Tudo é ação, tudo é cinetismo puro. A linguagem não é a expressão de um pensamento prévio. É a força psíquica que se torna linguagem elaborada. Nos Cantos nem as flores, símbolo da vida tranqüila, são confiáveis. A evocação às flores é o emblema de excitação ou de cura de uma crônica enxaqueca. Isso porque ele era um bom devorador de pétalas opiáceas e de outras substâncias alucinógenas.  O canivete, a navalha, a hidra de aço são garras que ferem a carne e não o órgão. Maldoror prefere um espinho à navalha, cuja ação é mais cruel do que mortífera. Aí aparece o sadismo. Mas em Sade, o marquês, o que sobressai é uma intenção real de escandalizar a sociedade com erotismos e perversidades sexuais. Em L. essa vontade de afrontar não é menos anárquica que em Sade, só que o recurso utilizado para tanto é a agressão animal, o instinto animal do homem.

En la imaginación ducasseana ni la vida tiene finalidad justificada. Todo es acción, todo es cinetismo puro. La lenguaje no es la expresión de un pensamiento previo. Es la fuerza psíquica que se hace lenguaje elaborada. En los Cantos ni las flores, símbolo de la vida tranqüila, son confiables. La evocación a las flores es el emblema de excitación o de cura de una crónica jaqueca. Eso porque él era un bueno devorador de pétalos opiáceos y de otras substancias alucinógenas. El canivete, la navaja, la hidra de acero son zarpas que hieren la carne y no el órgano. Maldoror prefiere un espina a la navaja, cuya acción es más cruel que mortífera. Ahí aparece el sadismo. Pero en Sade, el marquês, lo que sobresale es una intención real de escandalizar la sociedad con erotismos y perversidades sexuales. En Lautréamont esa gana de afrentar no es menos anárquica que en Sade, sólo que el recurso utilizado para lo tanto es la agresión animal, el instinto animal del homen.

Eu aprendi muito com os poetas absolutos, afinal, só eles e os deuses sabem, por experiência imaginária que, o ato da criação é uma eternidade sufocante. Quem lê Lautréamont com a pressa de quem governa os negócios do mundo, jamais poderá compreender porque uma metáfora de usura que hiperboliza o real, pode ser o próprio real de cada um que esvoaça a cada piscar de olhos.

Yo aprendí mucho con los poetas absolutos, pues sólo ellos y los dioses saben, por experiencia imaginaria que, el acto de la creación es una eternidad agobiante. Quien leer Lautréamont con la prisa de quien gobierna los negocios del mundo, jamás podrá comprender porque una metáfora de usura que hiperboliza el real, puede ser el propio real de cada uno que esvoaça cada parpadear de ojos.

Como apreciador de Lautréamont, regozijo-me deveras com o convite que me foi formulado por Ricard Ripol para participar desse VIII Colóquio sobre Lautréamont , trazendo como contribuição o romance que reconstitui a vida possível de Ducasse, um jovem autor que elevou ao máximo as possibilidades da ficção.

Como apreciador de Lautréamont, me alegro por la invitación que me fue formulada por Ricard Ripol para participar de ese coloquio internacional sobre Lautréamont, trayendo como contribución la novela que reconstruye la vida posible de Ducasse, un joven autor que elevó al máximo las posibilidades de la ficción.

Espero que os senhores possam ler o romance da vida de Lautréamont, que será publicado em 2007 na Espanha e em toda a América Latina, pela Belacqva, com tradução de Basilio Losada, e compreendam bem como o fenômeno da vida de um gênio literário se transforma numa fatalidade premeditada.

Espero que los señores puedan leer el romance de la vida de Lautréamont, que será publicado en 2007 en España y en toda América Latina, por la Belacqva, con traducción de Basilio Losada, y comprendan así como el fenómeno de la vida de un genio literario se transforma en una fatalidad premeditada.

É importante ressaltar que, nesse Colóquio, o círculo lautreamontiano volta a se abrir para as novas leituras e novas interpretações que o século em curso aguarda. Como ponto final desta intervenção, eu proponho que continuemos seguindo a aventura literária de Ducasse, uma aventura real que perdura no tempo porque a arte pode durar sempre mais que a vida. Tanto é verdade que foi na morte, como prêmio máximo para justificar sua existência, que Ducasse, o filho bastardo da França católica e positivista, mãe de Baudelaire e Rimbaud, fixou o marco da rebelião artística que tanto nos inspira e nos ensina.

Es importante resaltar que, en ese Coloquio, el círculo lautreamontiano vuelve a abrirse para las nuevas lecturas y nuevas interpretaciones que nuestro siglo aguarda. Como punto final de esta intervención yo propongo que continuemos siguiendo la aventura literaria de Ducasse, una aventura real que perdura en el tiempo porque el arte puede durar siempre más que la vida. Tanto es verdad que fue en la muerte, como premio máximo para justificar su existencia, que Ducasse, el hijo bastardo de la Francia católica y positivista, madre de Baudelaire y Rimbaud, fijó el marco de la rebelión artística que tanto nos inspira y nos enseña.

Ruy Câmara