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TESTEMUNHAS DO SÉCULO

Isaías Golgher, 94 anos, um historiador do tempo das utopias

“Eu não posso parar. Sou um sujeito histórico e sigo no movimento das engrenagens do tempo”, diz Isaías Golgher.

Ele ouviu os primeiros discursos de Lênin pelo rádio, fugiu dos romenos depois de torturado e trouxe os primeiros textos completos de Marx para o Brasil. 

Dezembro de 1924. Um jovem judeu de 19 anos desembarcou no porto do Rio de Janeiro, foragido da perseguição policial em seu país. Carregado de idealismo e expectativas, Isaías Golgher chegou em busca de asilo político, depois de ter militado na luta pela libertação da Bessarábia (atual Moldova), que havia sido ocupada pela Romênia em 1917. Começou assim sua relação com o Brasil.

Formado em História pela universidade francesa de Sorbone, ele cultivou o inabalável gosto pelos estudos. Uma paixão que pode ser traduzida em dezenas de livros e ensaios e na incrível capacidade de ler em 15 idiomas –, incluindo até a escrita cuneiforme, criada na Antigüidade pelo povo sumério, há cerca de 10 mil anos. Para isso, ele visitou várias vezes a cidade de Haifa em Israel, na década de 60. Aos 94 anos, radicado em Belo Horizonte, Golgher se apresenta como um protagonista de uma era de incertezas e utopias.

Em 1917, com 12 anos, Golgher se reuniu com acadêmicos e ativistas políticos para ouvir, pelo rádio de galena, o líder revolucionário Vladimir Lênin. Eram os primeiros discursos que antecederam a revolução encabeçada pelo líder socialista. Foi assim que recebeu a notícia do fim do império russo e da criação da União Soviética. Era a vitória dos bolcheviques – como eram conhecidos os revolucionários. Alguns meses após a tomada do poder pelos comunistas, Golgher viu as tropas romenas marcharem sobre seu país. Empolgados pelo ideal revolucionário, ele e os demais estudantes e intelectuais da Bessarábia iniciaram um movimento armado contra os invasores. Eles acreditavam que, por lutarem em defesa da revolução, seriam apoiados pelo poder central comunista em Moscou. A ajuda não chegou e as prisões e massacres foram cada vez mais intensos.

Em 1924, foi preso pelo aparelho militar romeno, a Securatate. Nas mãos dos militares, foi espancado e torturado diante de seus familiares. Os policiais romenos optavam pela tortura “pública” para amedrontar e chantagear as famílias das vítimas. Solto, rumou à América do Sul. O Brasil foi escolhido pelas notícias que partiam daqui e percorriam o mundo. “Nós, na Rússia, achávamos que o Brasil caminhava para o comunismo”, afirma. No Rio de Janeiro, Isaías Golgher foi hospedado por um primo. A nova terra que ele encontrou, após dois meses de viagem, era totalmente diferente.

Os primeiros meses no País foram de isolamento e estudo. O exercício que mais lhe ajudou no aprendizado do idioma foi a tradução de textos marxistas para o português. Golgher foi o primeiro a trazer os textos completos de Karl Marx para o Brasil. Até então, apenas os militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) tinham acesso a fragmentos e artigos publicados na Europa. Mais familiarizado com a língua, passou a publicar artigos em jornais e revistas ligadas ao partido. Nos anos 30, com o surgimento do grupo de direita da Ação Integralista, que iniciou uma campanha contra os comunistas, foi perseguido, mesmo não sendo filiado ao PCB. Percebeu, então, que o Brasil passava por período de perseguição aos comunistas e judeus. Duplamente segregado, ele e sua mulher, Suzana, partiram para a França, onde iniciou seus estudos acadêmicos.

De volta ao País, após a Segunda Guerra Mundial, radicou-se em Belo Horizonte, onde vive até hoje. Em 1950, Golgher encontrou um novo rumo para seu trabalho. A pedido de um amigo americano, que pesquisava a presença dos judeus no Nordeste do Brasil, o historiador começou a vasculhar o Arquivo Público Mineiro. Não encontrou uma linha sequer que ajudasse no trabalho do colega, mas impressionou-se com os documentos que relatavam a história de Minas. Decidiu pesquisar diversos arquivos em Portugal, Holanda, Espanha, França e Inglaterra, onde recolheu uma rica base de dados. Apaixonado pelo tema, escreveu Guerra dos Emboabas, um dos clássicos da história de Minas.

A obra retrata um dos primeiros levantes da história do Brasil contra o domínio da coroa portuguesa, ocorrido no princípio do século XVIII. “O sentimento de liberdade demonstrado pelo povo de Minas remontava à experiência dos primeiros meses de vitória da revolução russa, quando cada pessoa passou a ser um grajdanin (cidadão)”. Todas as manhãs, ele trabalha em seu escritório no centro de Belo Horizonte. A rotina continua inalterada, mesmo depois da morte de sua mulher, em julho de 1997. Incansável, ele colabora com jornais locais e segue na produção de seus ensaios. O mais recente, publicado no final do ano com o título O Anticomunismo do Comunismo Chinês, faz uma reflexão sobre os 50 anos da Revolução Chinesa. “Eu não posso parar. Mais que um historiador, sou um sujeito histórico. Sigo no movimento das engrenagens do tempo.”

Por que devemos ler “Os Protocolos dos Sábios do Sião”? – por Marx Golgher

O livro “Os Protocolos dos Sábios do Sião”, redigido no final do século 19, publicado em 1905, considerado o “best-seller” do antijudaismo do século 20, apresenta um aspecto paradoxal, ao invés de caluniar os judeus, termina por elogiá-los. O livro nos certifica que mais do que nunca o povo judeu foi tão “guia das nações” tal como foi proclamado em Isaias 49,6.

De fato, ao inovar o anti-semitismo, passando da forma religiosa, a velha acusação dos israelitas terem matado Cristo, para as acusações mais “modernas” de cunho político-social, os “Protocolos” mostram a expressiva participação judaica nos movimentos a favor do desenvolvimento social e político do ser humano.

Tal transformação do antijudaismo foi bem muito bem apreendida por um dos maiores escritores da língua portuguesa, Eça de Queiroz (1845-1900), no artigo Israelismo, Carta de Inglaterra, dos fins do século 19. Ao tratar da onda anti-semita fomentada na Alemanha pelo príncipe Bismarck, observou com a sua conhecida perspicácia:

“…Sempre que a igreja, que a feudalidade se sentia ameaçada por uma plebe desesperada da canga dolorosa, desviava o golpe de si e dirigia-o contra os judeus.Quando a besta popular mostrava sede de sangue-servia-se à canalha sangue israelita. É justamente o que faz, em proporções civilizadas, o Sr de Bismarque…. à falta duma guerra, o príncipe de Bismarque distrai a atenção do alemão esfomeado- apontando-lhe o judeu enriquecido. Não alude naturalmente à morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas fala nos milhões do judeu e ao poder da Sinagoga. E assim se explica a estranha e desastrosa governo´ (que justificava o governo pela decreto de severas restrições civis aos judeus, concedidas na era napoleônica).

Os “Protocolos” refletem esta mudança:- também não incitam o ódio aos judeus por serem “deicidas”, “matadores de Cristo”, mas por serem fomentadores dos subversivos ideais iluministas da Revolução Francesa, da liberdade política, do Marxismo, liberdade da imprensa, direitos do povo, sufrágio universal, direitos republicanos, a formação de fileiras do exército socialista, comunista, anarquistas, sendo também responsáveis pela sociologia, democracia, parlamentarismo, mudanças políticas e sociais que fizeram o mundo progredir a avançar na busca do desenvolvimento humano.

A grande fraude dos “Protocolos” reside na sua apocrifia. A da obra é atribuída a um ‘sábio de Sião”, quando salta aos olhos de ser de autoria de um indivíduo bem enfronhado nos temores das agitações sociais assaltavam as privilegiadas elites dos reinos autocráticos cristãos da Europa dos séculos 17,18,19, mas jejuno em judaísmo, seus valores e seus princípios.

Crítica externa dos “Protocolos”:

Trata-se de “uma falsificação criada na Rússia pela Okhrana (polícia secreta), que culpava os judeus pelas mazelas do país. Foi impressa pela primeira vez privativamente em 1897, e tornada pública em 1905. Foi copiada de uma novela do século 19 escrita por Hermann Goedsche (Biarritz, 1868) e alega que uma conspiração judaica planejaria assumir o controle do mundo.

A história básica foi composta por Goedsche, novelista e anti-semita alemão, que usava o pseudônimo de Sir John Retcliffe. Goedsche plagiou a história principal de outro escritor, Maurice Joly, cujos Diálogos no Inferno Entre Maquiavel e Montesquieu (1864) tratavam de um complô no inferno com o objetivo de se opor a Napoleão III. O que Goedsche contribui de original consiste primordialmente na introdução dos judeus como conspiradores para conquistar o mundo”.

Os russos usaram grandes trechos de uma tradução para o russo da novela de Goedsche, publicaram-nos separadamente como os Protocolos e alegaram ser os textos autênticos. Seu propósito era político: fortalecer a posição do czar Nicolau II expondo seus opositores como aliados dos que faziam parte de uma conspiração maciça para dominar o mundo. Assim, os Protocolos são uma falsificação de uma ficção plagiada.

Os Protocolos foram denunciados como fraude por Lucien Wolf em The Jewish Bogey and the Forged Protocols of the Learned Elders of Zion (London: Press Committee of the Jewish Board of Deputies, 1920). Em 1921, Philip Graves, correspondente do London Times, tornou pública a falsificação. Herman Bernstein em The Truth About “The Protocols of Zion”: A Complete Exposure (1935) também tentou e fracassou na tentativa de convencer o mundo da fraude.

Os Protocolos foram publicados em 1920 num jornal de Michigan fundado por Henry Ford com a missão principal de atacar judeus e comunistas. Mesmo após ter sido denunciado como falso, o jornal de Ford continuou a citar o documento. Adolf Hitler usou os Protocolos para ajudar a justificar sua tentativa de exterminar judeus durante a Segunda Guerra.

A farsa dos Protocolos continua a enganar pessoas e ainda é citada por certos indivíduos e grupos como a causa de todos os males”.

De fato, a influência dos “Protocolos” na furiosamente antijudaica da ideologia nazista está registrado no “Mein Kampf”- Minha Luta- de Adolf Hitler, o “Livro Sagrado” do II Reich. Reza tal ideologia que o desenvolvimento da humanidade é resultado de uma “luta de raça”, ou seja do conflito de sangue, entre a raça superior germânica, ariana, contra as raças inferiores, entre as quais se destacaria a “raça judaica”, a pior dela, seguida dos povos mestiços, como os habitantes do Brasil, os ciganos, etc. Todas elas fadadas ao extermínio, ou na melhor das hipóteses serem transformadas em escravos no III Reich nazista de Mil Anos, planejado por Hitler. Na realidade mão passou do curto período 12 anos, os mais brutais da história, quando foram mortos 50 milhões de pessoas, dos quais 6 milhões de judeus, na II Guerra Mundial (1939-1945
Os “Protocolos” estão citados no Mein Kampf, capítulo XI, Nação e Raça.

…até que ponto toda a existência desse povo é baseada em um mentira continuada incomparavelmente exposta nos Protocolos dos Sábios de Sião, tão infinitamente odiado pelos judeus. Eles são baseados num documento forjado, como clama o jornal Frankfurter Zeitung toda a semana: é a melhor prova de que eles são autênticos. O que muitos judeus fazem inconscientemente, aqui é exposto de forma consciente. E é isso o que importa. É completamente indiferente de qual cérebro judeu essa revelação se originou; o importante é que com uma certeza positiva e terrível eles revelam a natureza do povo judeu e expõe seus contextos internos bem como seus objetivos finais. Todavia a melhor crítica aplicada a eles é a realidade. Qualquer um que examine o desenvolvimento histórico dos últimos 100 anos, do ponto de vista deste livro, vai entender de uma vez os gritos da imprensa judaica. Agora que este livro se tornou uma propriedade do povo a ameaça judaica é considerada como interrompida (pgs 307-308).

Hitler, como sempre, está mais uma vez errado, nenhum povo civilizado, democrático e pacifico odiaria quem o “denunciasse” de percussor da Revolução Francesa, das liberdades democráticas, do regime democrático. Só regimes de força e opressão, autocráticos ou totalitários, regime político que, sem admitir qualquer forma legal de oposição, tolera apenas um partido (ao qual se subordinam todas as demais instituições), exigindo completa subserviência do cidadão ao “Chefe”, ao Fuherer, cabeça do regime que empalma todos os poderes da nação, poderiam se sentir ofendidos com a qualificação de democratas Certamente, o supremo insulto que poderia ser dirigido a Hitler seria chamá-lo de “judeu, defensor das liberdades democráticas e dos direitos do homem”.

No Brasil, entre diversas edições dos “Protocolos” a de maior destaque é a Gustavo Dodt Barroso (1888-1959). Entre outras coisas, este autor foi um dos ideólogos do Integralismo que enxerga o mundo por meio da ideologia antjudaica do nazismo, Brasil – Colônia de banqueiros (1934); História secreta do Brasil, 3 vols. (1936, 1937 e 1938). Nos últimos 25 anos, tais livros tem sido publicados pela Editora Revisão de Siegfried Elwanger “Castan” e podem ser encontrado- texto completo na Internet, alguns dos quais, com comentários típicos do ultradicionalistas, conservadores, e reacionários, católicos contrários as decisões do Concílio Vaticano II e dos papados João 23, e João Paulo 2, a mesma ideologia que sustentou o antijudaismo dos ‘Protocolos”.

As diversas edições sem os dados do editor e gráfica ou autor são ilegais em relação a “Lei de Imprensa” brasileira. Os Protocolos são indicados como leitura obrigatória em sites de grupos nazistas, ultrancionalistas, Poder Branco, KKK e até mesmo do MV – Movimento Pela Valorização da Língua Portuguesa.

Crítica interna

A tese central dos “Protocolos” é o da conspiração mundial judaica para conquistar o mundo cristão, revelada numa suposta ata de uma suposta reunião de ‘Sábios do Sião” A estratégia básica desta conquista, não podendo ser obviamente militar, de vez que os judeus daqueles tempos não contavam com um único batalhão (só começariam a ter um exército de defesa na criação do Estado de Israel, 1948…)., deveria ser, pois, por meio da subversão interna, a tomada de um conjunto de ações sistemáticas, efetuadas por elementos internos, a minar e derrubar um sistema político da Europa dos séculos 17, 18, 19…

As idéias básicas dos “Protocolos” residem no inconformismo do malogro histórico da Santa Aliança, entidade internacional, uma criada pelos grande reinos cristãos autocráticos da Europa, a saber, Rússia, Áustria, e Prússia (depois Alemanha) em setembro de 1815, após a derrota de Napoleão. Estes reinos juraram sustentar os princípios cristianismo conservadores, reacionários, anti-democráticos que estavam colocando em risco o sistema de governo aristrocrático que nutriam um sentimento de assombro e pavor diante aos ideais republicanos da Revolução Francesa instilados pela invasão napoleônica. Embora tivesse contado com adesão de todos os reinos cristãos europeus, com a exceção da Grã-Bretanha de George VI, a Aliança por si só teve pouca sustentatibilidade por significar um retrocesso social e político. De se notar dela no sentido histórico ficou apenas as sanguinolentas e cruéis repressões na Itália e Espanha contra rebeliões ao despotismo reinante nos reinos cristãos.

A “Santa Aliança” tornou-se para historiadores e sociologos um símbolo da política conservadora, obscurantista de monarcas autoritários para manter a “ordem social” que caracterizou a política européia até aos meados do século 19. Os “Protocolos” elaborados no fim deste século tenta atribuir às agitações sociais “judaicas” para conquista do mundo cristão o colapso da desastrosa “Santa Aliança”.

A idéia em si, a conquista do mundo cristão pelo judaísmo, se opõe à razão e ao bom senso:- como cerca de 0.02% da população européia, grande parte dela composta de artesãos pobres, trabalhadores da industria, profissionais liberais, poderiam conquistar os maiores e mais poderosos impérios do planeta? Os “Protocolos” atribuem a esta comunidade o controle das finanças. Seria com o “ouro judeu” que estes artesãos, operários, médicos, advogados iriam dominar os impérios e reinos cristãos e seus milhões e milhões de habitantes.

Eça percebe o absurdo de tal idéia, muito difundida na campanha antjudaica que o príncipe Bismarque promovia na Alemanha- o II Reich. O seu bom senso repelia a idéia de os 400 mil judeus que viviam neste império poderiam dominar milhões de alemães protegidos por forte Estado autocrático, governando com uma mão de ferro por um príncipe que empalmava todos os poderes, inclusive o de cassar todos os direitos civis dos judeus numa só penada, como de fato o fez, a pretexto de um suposto propósito deles pretenderem conquistar o mundo cristão. Uma evidente mistificação, como compreendeu logo Eça. Tal colossal poder era fruto não do ouro, mas da energia com que os israelita se dedicavam ao estudo e ao trabalho. Como denunciava Eça: “O dever do alemão seria exercer o músculo, aguçar o intelecto, esforça-se, puxar-se para frente para ser, o mais forte. Não o faz, em lugar disso, volta-se miseravelmente, covardemente, para o governo, e peticiona, em grandes rolos de papel que seja expulso o judeu dos direitos civis, porque o judeu é rico porque o judeu é forte..”.

Mas a balela do domínio do mundo pelo poder financeiro dos judeus tornou-se à custa de muita repetição, e de muito pouco esclarecimento da parte judaica, um pilar do anti-semitismo de nossos tempos. Assim, não foi surpresa alguma para mim, quando um político, sincero amigo de Israel, me indagou um tanto constrangido, como explicaria o controle do mundo pelos judeus por meio do sistema financeiro internacional, como se fosse uma “verdade irrefutável”. Ao invés, de desqualificar a calúnia, um velho e contraproducente vicio, o convidei a fazer uma reflexão diante a um fato concreto, palpável. Partindo da evidencia que só se pode controlar um sistema financeiro se apoderando das principais entidades financeiras, apresentei-lhe o exemplo do Brasil. É bem sabido que a rede bancária do país composta por dezenas de estabelecimentos só conta com um banco de propriedade de judeus, o Safra, que ocupa o 8 lugar do ranking. Seria possível tal banco dominar e controlar o sistema financeiro do país, ou seja impor-se ao Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Unibanco, empresas muitas vezes mais ricas e poderosas como alardeia a campanha antijudaica? Este cenário não é exceção no mundo, mas a regra geral. Posta esta realidade, indaguei do interlocutor se havia procedência na acusação. Retrucou-me o sincero amigo de Israel:- – Bem, era esse o mito em que acreditava até agora… mas por que vocês judeus não esclarecem isso, doutor Marx?….Neste ponto, o da nossa falta de comunicação, estava coberto de razão.

Seria uma façanha e tanto do apócrifo autor dos Protocolos pudesse demonstrar o contra-senso da idéia de milhões e milhões de cristãos da Europa sendo derrotados e conquistados por um punhado de judeus. Mas- eis uma característica do anti-semitismo- pouco lhe importa a lógica e a racionalidade. Ao revés, quanto mais irracional, quanto mais ofender o bom senso, quanto menos destituído de sentido, paradoxalmente, mais efeito obtém. Essa linha, aliás, foi a se constituir a diretriz da furiosa campanha antijudaica na Alemanha nazista (1933-1945) que desaguou no Holocausto. Tal qual, ocorreria 150 anos depois, quando em outubro de 2003, a Conferência Islamita da Malásia acusa os judeus de pretenderem conquistar o mundo, espalhando as idéias “satânicas” de democracia, anti-Islã, de “direitos humanos, socialismo e comunismo”…

O antijudaismo dos “Protocolos” tem sua continuidade nos séculos 20 e 21 no movimento católico ultradicionalista da ala de Lefrevre, reacionaríssimo, virulentamente antijudaico, do qual participa nos dias atuais o notório Mel Gibson com seu fraudulento filme “Paixão de Cristo”, a manifestar-se fervorosamente contra as resoluções do Concilio Vaticano II, contra as decisões dos papados de João 23, e João Paulo II, principalmente no ponto em que pregam a tolerância religiosa, visando eliminar da liturgia e doutrina cristã a pregação de ódio aos judeus.

DO PRIMEIRO CAPITULO DOS “PROTOCOLOS”

Abrindo o livro, o apócrifo autor dos “Protocolos” expõe logo a técnica da elaboração do texto “Formularei nosso sistema do nosso ponto de vista (sic !!!???) e do ponto de vista dos cristãos”.

Como se constata, usando a primeira pessoa, o autor- religionário cristão assume o papel de um “sábio judeu”, contrapondo um suposto sistema de opinião de um suposto sábio judeu, com o sistema do “inimigo”- o cristão. Uma mistificação notória:- é um cristão debatendo com ele mesmo…

Deste modo, começa por expor as supostas “idéias judaicas” de que “era preciso ter em vista que os homens de maus instintos são mais numerosos que os de bons instintos. Por isso, se obtém melhores resultados governando os homens pela violência e pelo terror”

Mas não há nada judaico neste discurso, muito pelo contrário. O judaísmo, completamente ignorado pelo autor da obra, tem concepção exatamente ao revés ao que teria dito o suposto “sábio do Sião”. Considera os homens iguais entre si, por terem, sido, todos eles filhos de Adão. Após o dilúvio, diz o capítulo do Gênesis da Torá, que as todas as nações tiveram origem comum e que todos os homens são irmãos, com uma unidade humana que tem sua raiz em D’us. A crença nesta moral e prática elevaram a civilização Ocidental, fundada nos valores da Bíblia, muito acima do paganismo, fanatismo idolatra, ao oferecer a promessa de paz universal.

Na Tora, o décimo capitulo do Gênesis tem se revelado retrato fiel de nações, povos e lugares antigos, como descendentes dos filhos de Noé, os sobreviventes do dilúvio universal, o mais velhos dos quais era Sem, seguido de Cão, e de Jafé. Os descendentes de Cão e Jafé receberam menos atenção da Bíblia do que os de Sem, entre os quais se encontrava o eminente patriarca do povo judeu Abrão, ou Abraão. Pelo décimo capitulo, constata-se, por exemplo, que filhos de Jafé mostram ser os povos hindo-europeus que habitavam a Ásia ocidental nos primeiro tempos da Tora, e assim por diante. A Bíblia não descreve a segunda distribuição dos homens depois da Torre de Babel, mas é absolutamente certo que o judaísmo nada tem a ver com o que o está registrado nos “Protocolos”, a tratar os homens como bestas, feras, que só poderiam ser controlados pela violência e terror.

O Talmud que”deve ser considerado, ainda hoje, como a única fonte da moral judaica” e como “a fonte judaica das leis judaicas” se fundamenta nas Leis de Moises, impondo-lhe eticamente proceder de acordo com os Dez Mandamentos, Êxodo 20, 21,22, que mostram o respeito do judaismo a todos os seres da humanidade, sem restrições, devendo todos serem tratados com humanismo, amor e humildade.

Aonde, pois, o postiço sábio de Sião teria ido buscar tal discriminação da sociedade humana em homens de bons e maus instintos, para pespegá-la ao leitor como concepção judaica?

Acha-se tal tese na exposição do pensador político cristão Vico, nas obras escritas em italiano, La Scienza Nuova, dde 1725, La Scienza Nuova Segunda, 1744 . Vico para descobrir a “direção” em que se movem os homens que são os artífices da história, inova dos autores clássicos que o antecederam, e que se restringiram aos sistemas de governo da Antiga Grécia e Império Romano, penetrando aos tempos obscuros da pré-história, depois do dilúvio bíblico.

Vico, repetindo Lucrécio, assevera que os homens da “pré-história”, viviam na fase bestial, “em que os homens decaídos se conduzem como animais, sem quaisquer relações sociais, inclusive da família”. Neste cenário, surgria a família, o primeiro avanço social da humanidade, dividindo os homens em criaturas de “bons instintos” as que constituem famílias, os de “maus instintos”, os sem-familias, completamente associais, sem a capacidade de interação social; anti-social.

Dentro deste cenário, a conclusão do suposto “sabido do Sião” é de que se “obteriam melhores resultados governando os homens pela violência e o terror do que com discussões acadêmicas.” , o que nada tem a ver com judaísmo.

O que horrorizava a elite dos reinos cristãos da Europa do século 19 era a idéia da liberdade política, tratada nos “Protocolos” como maquinação judaica:

“A liberdade política é uma idéia e não uma realidade, teria escrito o postiço sábio judeu. É preciso saber aplicar essa idéia, quando for necessário atrair as massas populares ao seu partido com a isca duma idéia , se esse partido formou o desígnio de esmagar o partido que se acha no poder (nota: ex: Rev. Francesa)”

A Revolução Francesa para o reacionarissimo autor dos “Protocolos” tem origem judaica….Um elogio eloqüente, talvez um tanto exagerado até, ao povo judeu. Mas sem dúvida, pensadores políticos, filósofos judeus contribuíram muito, com destaque para Spinoza, para a queda do dogmatismo que cercava a ideologia de sustentação da origem divina do poder autocrático.

Para o verdadeiro autor dos “Protocolos”, os judeus ao atraírem e seduzirem o povo francês com a lançando a “isca” da liberdade política, tornaram-se fomentadores da Revolução Francesa, um abominável movimento judaico aos olhos da elite cristã européia. Tal idéia antilibertária do cristão autor do texto, é essencialmente é reacionária e conservadora, nada tendo de judaica, mas muito da elite cristã, aferrada aos privilégios da classe dominante, a aristrocracia autoritária da Santa Aliança, a articulação ocorrida no inicio do século XIX, depois da derrota de Napoleão, que representava os ideais da Revolução Francesa. Um destes ideiais é a libertação política da sociedade civil. Entende a respeito o falso ‘sábio do Sião”;

“A liberdade é irrealizável por que ninguém sabe usar dela dentro da justa medida, continua os “Protocolos”, na suposta boca de um suposta sábio judeu. Basta deixar algum tempo o povo governar-se por si mesmo para que logo essa autonomia se transforme em licença. Então surgem dissensões que em breve se transformam em batalhas sociais, nas quais os Estados se consomem e em que sua grandeza se reduz a cinzas”.

…”O despotismo do capital, intacto em nossas mãos, aparece-lhe como uma tábua de salvação, à qual, queira ou não queira, tem que se agarrar para não ir ao fundo”…

Aqui o falso sábio exalta um suposto despotismo de capital judaico em contraposição ao bendito despotismo político cristão, como se as monarquias cristãs durante toda a história não tivessem o poder do Estado nas mãos, podendo, a qualquer momento, expropriar de bens de judeus e expulsá-los de seus países, como ocorrera, exemplo frisante típico, na península ibérica. Na realidade, o “ouro” expropriado da comunidade judaica pela Inquisição, pelos reis católicos português e espanhóis explicita a vulnerabilidade do “capital judaico”, que era freqüentemente expropriado pelos que detinham efetivamente o todo poderoso poder do Estado.

O que havia de importante nos judeus expulsos eram os seus conhecimentos intelectuais, comerciais, técnico-científicos bem cultivados em suas comunidade. A falta de conhecimento, considerado como opróbrio entre os judeus, era um vicio vil, da plebe, da burguesia, para os nobres da época, com raríssimas exceções.. Por isso, o êxodo dos judeus, expulsos dos reinos cristãos de Portugual e Espanha para a Holanda empobreceu as monarquias absolutistas ibéricas e enriqueceu país batavo, como bem lembraria o Padre Antonio Vieira ao rei de Portugal, no sentido de fazer cessar o anti-semitismo vigente em Lisboa.

Em suma, com o enorme fortalecimento dos Estados, a submissão do sistema financeiro aos governos era, continua sendo, absoluta. Falar em dominio judaico é uma falácia, enunciado ou raciocínio falso que entretanto simula a veracidade
A depreciação autocrática do ser humano, do regime democrático, exposta nos Protocolos, exprime o desprezo da elite cristã ultradicionalista e reacionária pela cidadania :- “Os homens, quer sejam ou não da plebe, guiam-se exclusivamente por suas paixões mesquinhas, suas supertições, seus costumes, suas tradições e teorias sentimentais: são escravos da divisão dos partidos que se opõem a qualquer harmonia razoável. Toda a decisão da multidão depende de uma maioria ocasional ou , pelo menos superficial, na sua ignorância dos segredos políticos, a multidão toma resoluções absurdas, e uma espécie de anarquia arruína o governo. A política nada tem a ver com a moral”.

Ou seja, as eleições, o direito para votar e ser votado ao governo seriam armadilha criadas pelos judeus para enfraquecer as monarquias cristãs, para melhor derrotá-las.

Ao condenar as eleições democráticas, o postiço sábio judeu escolhe como a melhor forma de governo a autocracia, poder ilimitado e absoluto, regime em que o governante empalma todos os poderes, espegando-o ao leitor como se fosse pensamento judaico:

“Somente um indivíduo preparado desde a meninice para a autocracia (sic !) é capaz de conhecer a linguagem e realidade políticas. Um povo entregue a si próprio, isto é, aos ambiciosos do seu meio, arruína-se na discórdia dos partidos, excitados pela sede do poder, e nas desordens resultantes dessa discórdia”

Observa-se aqui o fenômeno psicológico da extrojeção, processo por meio do qual uma pessoa lança seu pensamento a outrem, e a recebe de volta como se fosse do outro, cobrindo a lacuna de sua própria ignorância. É como colocar na boca do outro o que vc esta pensando.

O elogio ao Estado absolutista autocrático vencido pela Revolução Francesa, e a condenação do governo democrático é cabal:- O texto coloca na boca do sábio judeu- o que era abominável para a elite cristã da época- a Revolução Francesa e suas conseqüências:

“Fomos nós- teria dito o sábio judeu-os primeiros que, já na Antiguidade, lançamos ao povo as palavras “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, palavras repetidas tantas vezes por papagaios inconscientes que, atraídos de toda a parte por essa isca, dela somente tem usado para destruir a prosperidade do mundo, a verdadeira liberdade individual, outrora tão bem garantida dos constrangimentos da multidão”

Para um perfeito reacionário, a Revolução Francesa foi um processo judaico horroroso, abominável para conquista do mundo cristão. Para os judeus, de fato, o efeito mais importante da Revolução Francesa de 1789 foi a emancipação social: a garantia do gozo dos direitos civis, o acesso a educação primária, secundária e superior, e a liberdade de movimento de ir e vir, que formalmente os inseriam na sociedade civil francesa. O arrefecimento do sentimento antijudaico se espalha para o norte e outro lado do Reno, nos paises germânicos, por força da dominação napoleônica. Voltou mais agudo depois da derrota de Napoleão em Waterloo. O rei da Prússia, Frederico Gilherme, que tinha dado alguns passos iniciais para a legalidade civil dos israelitas, ao final do Congresso de Viena 1814, cancelou os avanços, impediu o ingresso deles nas escolas e universidades, despediu professores judeus, alegando que não havia por que encorajá-los a semear sua idéias sediciosas na juventude. A Santa Aliança articulada nesse Congresso, por proposta do Tzar da Rússia, tratava da restauração das dinastias destituídas pela Revolução e consideradas “legítimas”, tentando apagar os idéias sociais napoleônicas, e impor, geralmente a força, o absolutismo aos países “renegados”. Atribuía-se um papel muito importante aos israelitas na disseminação dos ideais revolucionários No caso, segundo o falso sábio, Napoleão Bonaparte teria sido um agente judeu, um papagaio a espalhar o ideal das liberdades republicanas pela Europa…

Continua o texto:- “Homens que se julgavam inteligente não souberam desvendar o sentido oculto dessas palavras(disseminadas pelos judeus…) não viram que elas se contradizem, não repararam que não há igualdade na natureza, que nela não pode haver liberdade, que a própria natureza estabeleceu a desigualdade dos espíritos,dos caracteres e das inteligências, tão fortemente submetidos as suas leis; esses homens não sentiram que a multidão é uma força cega; que os ambiciosos que elege são cegos em política quanto ela; que o iniciado, por mais todo que seja pode governar, enquanto que a multidão dos não iniciados, embora cheia de gênio nada entende de política”.

Para o verdadeiro autor do livro a “multidão”, a plebe, que se transformaria na sociedade civil pela Rev. Francesa é uma força cega, que deve ser reprimida por um governo autocrata.

Como este diagnóstico do mundo cristão ameaçado, prescreveria o verdadeiro autor dos Protocolos:

“Vereis pelo que se segue como isso (a divulgação das palavras judaicas da “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”) serviu ao nosso triunfo (triunfo dos judeus…) ; isso, nos deu entre outras cousas, a possibilidade de obter o triunfo mais importante, isto é, a abolição dos privilégios, a própria essência da aristocracia dos cristãos, o único meio de defesa que tinham contra nós (judeus) os povos e as nações. Sobre as ruínas da aristocracia natural e hereditária elevamos a nossa ( judaica..) aristocracia da inteligência e das finanças. Tomamos por critério dessa nova aristocracia a riqueza, que depende de nós, e a ciência que é dirigida pelos nossos sábios”… ” por que a força cega do povo não pode ficar dia só sem guia, e o novo poder não faz a mais do que tomar o lugar do antigo enfraquecido pelo liberalismo”…

A abolição dos privilégios reais cristãos, a queda da aristocracia cristã na Europa soava como subversão abominável dos judeus no mundo cristão do século 19…

A leitura dos “Protocolos”, pois, é bem salutar, pois, ao revés do que o seu verdadeiro autor quis divulgar, não avilta os judeus, mostram, no mínimo, que participaram da luta contra a autocracia, a favor das liberdades republicanas, participando ativamente da divulgação dos idéias da Revolução Francesa, coisas satânicas e abomináveis aos olhos da elite cristã do século 19:

“Nos dias que corre (século 19), o poder do ouro substituiu o poder dos governos liberais. Houve tempo, em que a fé governou. A liberdade é irrealizável porque ninguém sabe usar dela na justa medida. Basta deixar algum tempo o povo governar-se por si mesmo pra que logo essa autonomia se transforme em licença. Então, surgem dissensões que em breve se transformam em batalhas sociais, nas quais os Estados se consomem e em que sua grandeza se reduz a cinzas”

O capítulo I termina sugestivamente, “a idéia abstrata da liberdade (atribuída aos judeus) deu a possibilidade de persuadir às multidões que um governo não passa de gerente do proprietário do país, que é o povo, podendo-se mudá-lo como se muda de camisa. A removibilidade dos representantes do povo coloca-os à nossa disposição (dos judeus), eis dependem de nossa escolha”.

E por ai vai a obra anti-semita do século 19, a atribuir, claro que com bastante exagero, a responsabilidade do progresso social do mundo que floresce no século 21…

Os Protocolos transformam o antijudaismo de dois séculos atrás num portentoso elogio ao judaísmo nos dias de hoje. O testemunho disso é dado pelos seus maiores inimigos Por que não divulgar essa realidade para o mundo judeu, e não judeu, de que realmente contribuímos e muito pela revolução social que é realidade em nossos dias?

OS PROTOCOLOS: LER, OU NÃO LER?

“É um tabu e uma tolice que a comunidade judaica não leia os Protocolos. Esse livro deveria ser de leitura obrigatória nas escolas, discutido dentro de seu contexto histórico e político para que cada judeu entendesse porque os anti-semitas empregam este livro por mais de 110 anos. Ninguém consegue se esconder das palavras, negando sua existência. Apenas com o conhecimento é que se pode combater este tipo de ataque racista.

Já foi o tempo em que se podia alimentar qualquer esperança em relação a uma certa contenção da propagação do texto dos Protocolos. Não adianta apreender livros enquanto seu conteúdo, em quase todas as línguas é disponível gratuitamente na Internet. Em uns 20 segundos de pesquisa se encontra a versão na língua desejada. Aproveite a a internet e leia os Protocolos dos Sábios de Sião! Entenda sua retórica. Perceba por que ele fascina os racistas. Entenda por que é preciso se defender deste texto.

No dia do fechamento desta matéria havia cerca de 15.000 ocorrências sobre os Protocolos em inglês e 460 em português”. Comece a conhecê-los hoje!

Marx Golgher