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O TRISTE FIM DO PESADELO DE SINÉAD O’CONNOR

Para inúmeras pessoas que sofreram abusos e traumas insuperáveis, a morte passa a ser desejada como solução de um pesadelo sem cura e sem remédio. 

Aos 56 anos, faleceu hoje (26 de julho de 2023) a popstar irlandesa de Dublin, Sinéad O’Connor (pronuncia-se, chineide) nascida Marie Bernadette Sinéad O’Connor, em 08 de dezembro de 1966.

O’Connor teve 3 maridos: Steve Cooney (de 2010 a 2011), Nicholas Sommerlad (de 2001 a 2004), John Reynolds (de 1987 a 1991) e com eles 4 filhos.

Ela fora aclamada pela crítica em seu primeiro álbum, “The Lion and the Cobra” (1987), que tinha músicas como “Mandinka”, cuja letra mencionava uma tribo africana e falava sobre os percalços da chegada à vida adulta.

Conquistou fama mundial com “Nothing compares 2 U”, uma música linda, de autoria do genial Prince (1958-2016) interpretada em clima solene, quase monástico, com sua voz doce e potente, conquistando assim o primeiro lugar nas paradas em vários países, inclusive nos Estados Unidos.

Sinéad O’Connor teve uma vida pessoal, familiar e profissional bastante conturbada em função dos abusos e traumas infantis, chegando a admitir publicamente que fora internada por diversas vezes em clínicas de saúde mental; que sofria de depressão profunda; transtorno bipolar; fibromialgia (doença que aumenta a sensibilidade à dor através de nervos); de síndrome de estresse pós-traumático e de distúrbio borderline, que  é caracterizado por um padrão generalizado de instabilidade e hipersensibilidade nos relacionamentos interpessoais, insatisfação com a autoimagem, flutuações extremas de humor e impulsividade.

Em 1990, ela foi criticada por diversos artistas americanos ao garantir que não se apresentaria se o hino nacional dos Estados Unidos fosse tocado antes dos shows dela. Frank Sinatra disse que iria “chutar a bunda dela” caso a encontrasse. Contudo, naquele ano ela foi eleita pela revista “Billboard” como o single #1 daquele ano.

O’Connor ficou conhecida por suas opiniões sobre vários temas, como direitos da mulher e abusos cometidos por integrantes da Igreja Católica, chegando a rasgar em 1992, uma foto do Papa João Paulo II no Saturday Night Live, um dos programas mais populares da TV americana. “Lute contra o verdadeiro inimigo“, disse ela. Ao cantar a música “War”, de Bob Marley, a artista trocou a palavra “racismo” na letra, para “abuso infantil”, em protesto contra as denúncias de abuso na Igreja Católica.

Em 2007, ela confessou no programa, The Oprah Winfrey Show que tentara o suicídio pela primeira vez em 1999, quando tinha apenas 33 anos.

Em 2015, ela postou em sua página no Facebook uma carta aberta atacando os seus familiares e que foi vista por muitos fãs como uma nota de suicídio.

Nos hits “Mandinka” (1988) e “Nothing compares 2 U” (1990), Sinéad falava abertamente dos abusos físicos e sexuais inflingidos por sua própria mãe, que tinha, em casa, uma “câmara de tortura” para castigar os filhos.

“Minha mãe era uma pessoa que sentia prazer em machucar”, contou a artista, em entrevista ao psicólogo Phil Graw.

Em 2017, ela deixou fãs e parentes preocupados com um relato de solidão e angústia publicado no Facebook. “Estou lutando, lutando, lutando, como milhões de pessoas que conheço, para continuar viva todos os dias”, frisou, às lágrimas, em vídeo que viralizou internacionalmente.

Traumatizada, Sinéad tentou tirar a própria vida oito vezes em um ano. Em 2016, ficou 36 horas desaparecida em Chicago, nos EUA.

Em 2017, O’Connor mudou de nome para Magda Davitt. No ano seguinte, converteu-se ao islamismo, mudando mais uma vez de nome, para Shuhada’ Sadaqat. Todavia, continuava a gravar músicas e se apresentava com o seu nome de nascimento.

Nos últimos anos seus problemas de saúde mental se agravaram e em 2020, aceitou entrar para um programa de tratamento de traumas e dependências que durou um ano.

A Morte do filho Shane foi mais um trauma insuperável em sua vida glamorosa e ao mesmo tempo sofrida. Em janeiro de 2022, o garoto que estava internado em uma instituição psiquiátrica para tratamento de depressão, fugiu da clínica e fora encontrado morto, dois dias depois. Ele tinha 17 anos e era fruto do seu antigo relacionamento com o cantor Donnal Luny.

A morte do filho marcou profundamente sua vida, tanto que, naquele ano, O’Connor deu uma pausa na carreira artística, tendo declarado nas redes sociais a decisão de “encerrar a sua luta terrena”.

Para a tristeza deste autor e de milhões de fãs que apreciam sua música e seu talento, é admissível e provável que Ela já estivesse ouvindo de perto, bem de perto, a morte grasnando o seu cântico fúnebre, quando então decidiu dar a pausa silenciosa e definitiva na sinfonia da vida.

Ruy Câmara

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